No Brasil, a mulher que vive só ganha mais Divorciadas, descasadas, solteiras e viúvas: eis uma população longeva, que cresce a cada dia no país

MARIA HELENA PASSOS – GUIA DA INVESTIDORA/EDITORA ABRIL

Em 500 anos de história, nunca a mulher brasileira viveu tão sozinha. Tal foi a conclusão do economista Marcelo Néri, responsável pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, ao analisar a evolução da situação feminina nos últimos 30 anos. Descasadas, divorciadas, solteiras e viúvas consistiam seu foco de pesquisa. Juntas, elas somavam 38,4% da população feminina brasileira em 2004. Em 1970, representavam 35,5%.

Viver só pode ser considerado bom ou ruim. Já a evolução sócio-comportamental identificada por Néri, traz consigo uma inequívoca boa notícia para quem estiver no rol das sozinhas: elas ganham 62% a mais do que as que vivem com alguém, seja ele marido, filho ou companheiro/a.

Pode-se perceber melhor o que isso significa ao calcular que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a renda média mensal das brasileiras em 2003 era de R$ 547,00. Por esse parâmetro, o terço das solitárias seria de R$ 866,14 per capita. Valor, aliás, 10% superior ao que recebiam os homens na mesma época.

A partir dos dados do IBGE, Néri detectou 19,7 milhões de mulheres que viviam sem marido ou companheiro em 2000. E um fato instigante: para elas, o trabalho principal respondia por 55,6% do ganho total pois possuíam outras fontes de renda.Mais: estavam desempregadas em menor proporção que as acompanhadas. Quando empregadas, se davam melhor que as outras, já que, com maior freqüência, tinham carteira de trabalho assinada. Sem terem a quem recorrer para a subsistência, pouquíssimas trabalhavam sem remuneração: 12%, contra 87,36% das acompanhadas.

O retrato inequívoco do custo social da independência financeira feminina no Brasil incluiu ainda, algumas peculiaridades curiosas. No Rio – onde a presença de mulheres sozinhas é maior do que em São Paulo –, elas vivem, sobretudo, em Copacabana (um conhecido endereço das idosas na Cidade Maravilhosa). Já na Paulicéia, elas residem principalmente no central bairro da Consolação. Nos dois casos, uma constante: em tais locais, predominam imóveis pequenos.

A prova de que o fenômeno não se concentra apenas nas grandes capitais ou no rico Sudeste, está na Bahia, estado com o maior número – 23 – de municípios que apresentam percentual elevado de mulheres sozinhas. Se a independência feminina avança célere na sociedade brasileira, a economia não só a explica como se coloca como um de seus aspectos mais evidentes. As finanças pessoais, não à toa, têm encontrado uma platéia cada vez maior entre o sexo feminino.

“Já tive cliente que me pediu para formular um programa de especialização em finanças exclusivo para ajudá-lo a lidar com o dinheiro de sua própria carteira e o de sua empresa”, conta Alberto Borges Matias , professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.

“Entender como gerir suas finanças pessoais hoje, é quase tão importante quanto foi, para a mulher da geração das nossas avós, saber cuidar da cozinha”, afirma o economista René Werner, consultor especializado em governança familiar.

Neste Guia da Investidora , procuramos abordar, em linhas gerais, o leque de produtos que o mercado financeiro coloca à disposição para você dar conta de suas necessidades econômicas.

Da página 22 à 47 , uma descrição cuidadosa dos produtos disponíveis para ajudá-la a gastar com seu teto e sua família, pode ser lida facilmente. Da página 48 à 57 , um elenco de alternativas de investimento pretende auxiliá-la na tarefa de como otimizar seu dinheiro para que ele renda um patrimônio. Todas essas informações foram criteriosamente escolhidas e colhidas pelo Inepad – Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração.

Trata-se de uma instituição que reúne 150 professores, especialistas e alunos de gestão empresarial, dedicada ao ensino de executivos – pessoalmente e a distância –, bem como à consultoria em planejamento estratégico e riscos financeiros. Com profissionais formados por universidades como as norte-americanas Harvard e Wharton e a britânica Cambridge, além de uma dezena de estabelecimentos públicos de ensino superior no Brasil, o Inepad ( www.inepad. org.br ) tem sede em Ribeirão Preto , no interior paulista.

O quinto capítulo deste Guia, da página 58 à 63 , se dedica a ajudá-la a construir sua própria estratégia financeira, ao se valer de atributos que são velhos conhecidos do gênero e da psique feminina.

Finalmente, no último capítulo inserido entre as páginas 66 e 74 , tratamos das escolhas indispensáveis a cada etapa da vida para que se possa montar um planejamento financeiro.

Em todo o Guia , a presença da experiência de mulheres conhecidas pelo grande público procura mostrar que a gerência das finanças não exime ninguém de enfrentá-la. E busca tornar mais próxima da vida real a iniciativa didática e jornalística que concebemos, como se lerá a seguir.